Preposições (1)

Estes são os parágrafos iniciais de um livro sobre as preposições que estou escrevendo. A ideia é pedir opiniões sobre o tema e sobre o estilo, digamos, que vai moldando a proposta. Tenho umas 60 páginas escritas – o que não quer dizer prontas. Críticas e sugestões, portanto, muito bem-vindas serão.

PREPOSIÇÕES são marcações linguísticas que perfilam relações físicas e psicológicas do mundo espacial e simbólico do qual participamos.

Seu estudo e o estudo sobre o seu funcionamento na língua portuguesa do Brasil (daqui pra frente, PB) são interessantes desafios. Reconhecido como discussão bastante frutífera da linguística, as preposições são, como veremos, palavras pequenas e de significado relacional muito variável. Por esse motivo, para alguns autores, “os estudos sobre elas constituem um dos principais temas de pesquisa em linguística hoje em dia.” (Goyens De Mulder, 2002, p.185)

Por que isso acontece? O que há de particular nesse grupo de palavras que traz incômodos em seu uso diário e em sua descrição? Essas são as perguntas centrais deste pequeno livro que adota os argumentos da linguística cognitiva como base para as suas propostas. Será a partir dessa abordagem teórica que buscarei desenvolver os argumentos que justificam a definição acima  apresentada. Usarei também alguns apontamentos da história das línguas, mais especificamente sobre o PB, com subsídio para explicar o quadro de uso preposicional que praticamos atualmente.

O livro tem a seguinte organização. São três partes: primeiro, apontarei situações em que o uso das preposições gera algumas dúvidas entre nós brasileiros; em seguida, sinteticamente, relato propostas distintas para a análise das preposições; depois, apresento com um pouco mais de detalhes a percepção histórico-cognitiva a respeito do tema.

Nesse sentido, a fala de Gregory Bateson é bastante válida. Para ele, não há mais “uma ciência que tenha interesse específico na combinação de peças informativas, porque cada passo de um processo evolutivo acrescenta uma informação a mais para a  compreensão de um sistema existente” (Bateson, 1979, p.19).  O que diz Bateson pode ser apropriado da seguinte forma: os sistemas linguísticos existentes não existiam como agora existem. Esse princípio epistêmico me parece fundamental, porque, de forma mais, ou menos, direta, indica que as várias esferas das relações de comunicação e da evolução da espécie humana participam da configuração da linguagem. E, nessa história, estão as preposições.

É importante registrar que não pretendo aqui questionar a tradição normativa como ponto de partida dos trabalhos; também não pretendo sintetizar o assunto. A proposta é chamar a atenção para aspectos do estudo preposicional que ajudam na superação de desconfortos teóricos e práticos presentes na vida escolar e no uso do vernáculo. Como veremos no decorrer da leitura, há vários pontos que merecem pesquisa mais detalhada e demorada. Gostaria de registrar também que há muitos trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o tema preposições que não foram considerados, notadamente trabalhos mais antigos – anteriores à época digital – que em geral, assumo, recebem pouco crédito das novas pesquisas em linguística. Espero, contudo, oferecer uma abordagem original sobre o assunto, servindo-me de texto claro e acessível escrito em PB.

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Sobre Pedro Perini-Santos

linguista.
Esse post foi publicado em Artigos sobre linguística e marcado . Guardar link permanente.

2 respostas para Preposições (1)

  1. Valéria Ruiz disse:

    Pedro, se sua citação do Bateson é de Mente e Natureza, a página é 29 e não 19. Tenho a edição de 1986, mas não corresponde ipsis literis. Acho que esse ponto fundamental não fcou muito claro nesse post. Bem, no mais, é 10!

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